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Campanha de ateístas em ônibus chega ao Brasil

15/12/2010

Redação | cancaonova.com

Desde domingo, 12 de dezembro de 2010, por iniciativa da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, acontece a chamada “campanha dos ônibus ateus”. A campanha já passou por diversos países como Estados Unidos, Reino Unido e Espanha. Outras ações como esta têm acontecido no mundo.

Alguns ônibus em Salvador (BA) e Porto Alegre (RS) exibirão mensagens expondo o ponto de vista de ateus e agnósticos sobre temas como fé e moralidade. A campanha tem como slogan: “Diga não ao preconceito contra ateus”, com imagens e frases polêmicas. Uma delas afirma: “A fé não dá respostas. Ela só impede perguntas”. Em outra, aparecem Adolf Hitler como crente e Charles Chaplin como ateu, ilustrando o texto “religião não define caráter”.

A iniciativa traz ainda a foto de um avião atingindo o World Trade Center, com os dizeres: “Se Deus existe, tudo é permitido” - em referência à famosa citação, de forma contrária, do romance “Irmãos Karamazov”, de Dostoievski: “Se Deus não existe, tudo é permitido” ou “Se Deus não existe, então, eu sou deus”.

Segundo o presidente da entidade, Daniel Sottomaior, a campanha é para chamar a atenção da sociedade e tirar 2% de ateus da invisibilidade, pois muitos têm medo de se manifestar por causa do preconceito contra eles.

O presidente da Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência e responsável pelo ‘Blog das Religiões’, em zerohora.com, Guershon Kwasniewski, diz que “a manifestação é válida, desde que não haja ofensas. “Vivemos em uma sociedade com liberdade de expressão. Todo aquele que quer se manifestar, crente ou não em Deus, tem o direito sempre que não ofenda aquele que não pense do mesmo jeito”.

Direito de expressão

De fato, é fundamental que o direito de expressão seja garantido desde que não se desrespeite as pessoas e as crenças de cada um. Que o debate seja livre e respeitoso, conduzido pela razão e não pelo fanatismo ou emoção, a fim de que a verdade apareça.

Jesus disse que a verdade nos libertará (cf. João 8,32) e São Paulo afirmou que “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4). Nós católicos acreditamos que a verdade religiosa é aquela que a Igreja ensina, pois o apóstolo dos gentios também escreveu que “a Igreja é a coluna e o alicerce da verdade” (cf. I Tm 3,15); uma vez que ela aprendeu essa verdade com “Aquele que é a Verdade” (cf. João 14,6).

Por essa razão, defendemos a verdade ensinada pela nossa fé, mas fazemos isso sem discriminar, ofender ou menosprezar aqueles que discordam de nós. Acima de nossas divergências espirituais devem estar a nossa educação e o respeito por cada pessoa.

Sobre o ateísmo e essa campanha, temos o direito de rebater alguns pontos. Em primeiro lugar, nos parece muito perigoso uma generalização que está sendo feita no sentido de que grandes catástrofes provocadas pelo homem, como a queda das torres gêmeas dos EUA, seja culpa da crença em Deus. Pode ser que alguma religião possa se apoiar em Deus para usar da violência, mas a fé católica jamais aceita isso; pelo contrário; Jesus a proibiu terminantemente. O Cristianismo não pode ser acusado de usar hoje da violência. O Sermão da Montanha, que é a “Constituição do Reino de Cristo”, é a carta do amor e da mansidão, do perdão e da paz. A Igreja se empenha pela paz no mundo.

O Cristianismo se impôs ao mundo romano e o conquistou pela força da fé e da caridade, sem derramar sangue dos opositores. Diferentemente disso, durante quase três séculos o sangue de milhares de mártires foi derramado; até de mulheres e crianças. Tertuliano (†220) chegou a escrever ao imperador Antonino Pio para lhe dizer que não adiantava matar os cristãos, porque “o sangue dos mártires era semente de novos cristãos”.

Lamentavelmente, alguns filhos da Igreja, imperadores e reis, até papas e bispos que parecem não ter assimilado bem a doutrina do Mestre, lançaram mão da violência em alguns períodos da história passada, o que levou o Papa João Paulo II a pedir perdão ao mundo pelos pecados desses filhos da Igreja, no Jubileu do ano 2000. Mas há muito tempo a Igreja não aceita a violência, abomina todo tipo de guerra e de discriminação humana. Portanto, não se pode colocar a religião, de modo geral, como “causa” da violência atual. Líderes de várias religiões têm se reunido com o Santo Padre pela paz.

Por outro lado, não é verdade o que diz a campanha do ateísmo que “A fé não dá respostas. Ela só impede perguntas”. A fé católica nos dá respostas às nossas perguntas, mesmo que os não católicos não as aceitem. O Catecismo da Igreja e o Compêndio do Catecismo são verdadeiros “catálogos de respostas” às questões mais angustiantes do ser humano. Basta lê-los.

Não é verdade também que a Igreja e a nossa fé “impedem perguntas”. Elas estão sempre prontas para respondê-las. No entanto, parece que a resistência da fé católica em manter intactos os princípios recebidos de Cristo faça com que alguns pensem errôneamente que ela impeça perguntas. Não, ela apenas não aceita mudar a verdade que Cristo nos ensinou, tanto no campo da fé quanto no da moral, pois a verdade não muda. O Teorema de Pitágoras já tem 2.400 anos e até hoje ninguém conseguiu desmenti-lo; porque é uma verdade.

A mensagem da campanha, que traz Adolf Hitler como crente e Charles Chaplin como ateu, dizendo que “religião não imprime caráter”, não é verdadeira. A fé católica imprime caráter, sim. Hitler estava havia anos luz de distância de ser cristão como querem alguns. O nazismo matou cerca de 2 mil padres. O ditador nazista queria assassinar o Papa Pio XII . Portanto, usar Hitler como exemplo de “crente” não é coerente. Por outro lado, Stalin, Lenin, e outros comunistas russos ateus condenaram cerca de cem milhões à morte.

A fé católica imprime caráter, seriedade, honradez, honestidade, pureza e santidade, mesmo que nem todos os católicos deem prova disso. Os Evangelhos e as Cartas dos Apóstolos não se cansam de lembrar aos fiéis sobre a busca da santidade. Falta espaço para relatar tudo. Não matar, não roubar, não desejar a mulher do próximo, não cobiçar as coisas alheias, amar o próximo como a ti mesmo… Todo o Evangelho e as Cartas dos Apóstolos são um compêndio de moral, pois condenam veementemente os pecados capitais: soberba, ganância, impureza, gula, ira, inveja, preguiça, maledicência, etc. Como negar isso? Milhares se santificaram nessa doutrina.

Sobre a campanha

Por isso, e por outras coisas, nos parece vazia a argumentação da campanha. Além do mais, Deus não é um mito nem um “delírio” como quer o Dr. Richard Dawkins. O Natal não é um mito. Deus é uma realidade. Sem Ele não existiria o universo e cada um de nós. O ateísmo jamais poderá explicar isso. O senhor “Acaso” não existe. Tudo o que existe fora do nada é parte de um plano.

Dr. Francis Collins, coordenador do maior projeto de biotecnologia desenvolvido até hoje – Projeto Genoma – disse à Revista Veja: “Eu acredito que o ateísmo é a mais irracional das escolhas”.

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